sexta-feira, 1 de maio de 2009

Poema em forma de gorjeio

Sabiá cisca no muro.

No alto do muro
procurando
sementes,
insetos,
pequenos galhos,
sabe-se lá o que mais.

Vai de um lado a outro
por toda a extensão do muro.
O muro se faz passarela,
passarela se faz caminho.
O sabiá caminha
– percorre
seu pequeno mundo.

O sabiá,
ocupado que está,
não tem tempo de reparar
cá embaixo:
dos dois lados do muro,
dois vizinhos discutem
uma questão de fronteiras.


por Eduardo Trindade

7 comentários:

Julieta Garcia disse...

E ele, nem lá nem cá, e em ambos os lugares ao mesmo tempo. =)

Magna Santos disse...

Quem voa não tem mesmo tempo de reparar discussões.
Beijo.
Magna

Max disse...

Quem voa não tem mesmo tempo de reparar discussões.[2]

Muito bom. Parabéns! xD

Andréia Alves Pires disse...

sempre as fronteiras..
bonito teu poema. bjão.

Verônica H. disse...

Um clássico, como parecia ser perdido.
Gosto dessa simplicidade.

Äмbзr Gïrℓ ⅞ disse...

quem disse que ruim ficar no muro??

humor leve e cotidiano... é reparar no orvalho de cada pétala de flores miúdas.

inspirador, deveras...

Blog Suicide Virgin

Dani Santos disse...

Ah, as palavras tão suaves e intensas. Como canções de pássaros.

Abraços...