sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Poema Táctil

artista-artesão de Xi'an, China

Percorre com a mão o teu próprio rosto
de olhos cerrados
em busca do maior segredo.

Onde foi que ficou escondido
o menino arredio
que brincava nas poças da chuva?

Que sorriso escondeste
nas dobras do tempo?
O que nunca foi escrito
na tua pele enrugada?

E de onde vem essa coragem
para estender a mão,
afagar o rosto,
contemplar as rugas
e o segredo?

Vês? No fundo da alma,
piscando os olhos,
o menino arredio
guarda teu mesmo sorriso.
versos e fotografia: Eduardo Trindade

4 comentários:

Zé Gabriel F. disse...

O tempo chega para todos nós...
Mas o tempo não é linear....É tão relativo quanto nós mesmos somos...

=)

Belo post!

Selene Valdragon disse...

o tempo nos atinge em cheio as vezes cruelmente mas nao quer dizer que precisamos aceitar seu ataque
nao precisamos realmente envelhecer...

Dani Santos disse...

E de onde vem essa tua sede de perguntar as coisas mais belas? De tratar de segredos e sonhos como massinhas que o tempo-menino se escarregou de modelar? Talvez porque trazes tão vivo teus sorrisos de menino... e fico eu aqui, a imaginar a cena de poesia infinita e sábia que modelastes com as maõs de artesão de palavras.

Abraços de sol pra ti...

Neotenia disse...

Você já leu Antoine de Saint-Exupéry? O Pequeno Príncipe!

Ele escreve logo na primeira página: "Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso.)!"

Por mais que você cresça o "menino arredio" ainda estará lá! Você pode ainda brincar nas poças de chuva, o sorriso pode sim voltar a ser o mesmo...!


LINDO o que escreveu... LINDO mesmo!