segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Das lembranças aleatórias

Fui convidado a elaborar uma lista de curiosidades aleatórias sobre eu mesmo. (*) A princípio, fiquei em dúvida sobre se deveria escrever e o que escrever, pois já não sou muito fã de listas. Mas resolvi aceitar a proposta ao pensar que, afinal, era uma oportunidade para reviver algumas das pequenas lembranças que valorizo tanto.

Um. Apesar de a Copa do Mundo de 1990 ter sido a primeira que eu realmente acompanhei, minhas lembranças futebolísticas mais antigas são alguns flashes da Copa de 1986. Lembro particularmente do jogo decisivo em que o Brasil foi desclassificado: alguém me explicou que o Brasil havia perdido e eu fui para o meu quarto, triste, chorar em silêncio. Naquela época, a felicidade se resumia a coisas como um jogo de futebol. Então, sentado no chão do quarto, criei minha própria partida com bonecos de Playmobil e, nela, o Brasil ganhava da França. Era uma época em que uma brincadeira podia mudar o mundo... (Apesar disso, já vão décadas e a França continua entalada na garganta dos brasileiros, ao menos em matéria de futebol.)

Dois. Houve uma época em que eu pensava que o número dois me perseguia. Ansioso por achar curiosidades e coincidências, eu atribuía um número a cada letra do alfabeto, em ordem crescente, e somava as letras do meu nome até que restasse um único algarismo. O resultado era dois (agora que acrescentaram k, w e y ao nosso alfabeto o resultado é outro, mas antigamente era dois). Dois foi a minha colocação nos dois vestibulares que fiz na vida. E dois também foi a minha colocação no concurso público que me trouxe ao Rio.

Três. Eu escrevi meu primeiro livro antes de aprender a escrever. Assim: ainda pequeno, eu já estava fascinado por aquele mundo de histórias misteriosas e encantadas que se escondia nas palavras e, claro, nos livros. Peguei então papel e lápis e me sentei para registrar, eu mesmo, uma história. Como eu não conhecia o segredo das palavras, fui copiando ao acaso todas as que encontrava e que na verdade eram, simplesmente, marcas e letreiros que eu via: Coca-Cola, Bic, Philips, CCE, Saída, Banheiro... Nos espaços em branco da folha eu desenhei as ilustrações. Um adulto que parasse para ler via apenas palavras soltas, mas eu narrava, empolgado, a história que havia criado.

Quatro. Certa vez, percebi que o material em que eu levava a merenda para a escola tinha as iniciais E.T. gravadas a caneta. Fiquei muito intrigado. Então me explicaram que estas letras estavam lá porque assim ninguém roubaria ou pegaria meu material por engano, afinal todos teriam medo de que se tratasse dos objetos de um extraterrestre. Eu mesmo passei a ter medo... Até que, muito tempo depois, descobri que eram as iniciais do meu próprio nome, Eduardo Trindade. Sou, incontestavelmente, um E.T.

Cinco. Eu adorava assistir à Fórmula 1. Em 1994, assisti a todas as corridas, menos uma: no dia em que morreu Ayrton Senna, eu estava em Vale Vêneto, distrito de São João do Polêsine, um vilarejo perdido no interior do Rio Grande do Sul. Um local tão diferente e tão distante da minha realidade urbana que, quando chegou a notícia, ela pareceu irreal, fantasmagórica, simplesmente não fazia sentido. Só fui entender do que se tratava à noite, quando voltei a Porto Alegre.

Seis. Eu já fiz torradas (mistos-quentes) usando um ferro de passar. Quando me mudei para o apartamento em que estou hoje, não havia gás e a instalação demorou a ficar pronta. Eu também não possuía forno de microondas. Então, depois de algumas semanas dependendo principalmente do frango assado da padaria da esquina, e já não aguentando mais ter só comida fria em casa, comecei a ver com outros olhos aquele instrumento produtor de calor, o ferro de passar roupa. E ele, devidamente coberto por uma folha de papel-alumínio, desempenhou com eficiência a função de uma chapa de aquecimento de sanduíches. Torradas quentinhas prensadas na hora...
(*) Na chamada blogosfera, um meme é uma espécie de corrente que circula convidando os autores a escrever sobre determinado tema. Este me chegou através da Flávia Rocha e funciona assim:
Seis Coisas Aleatórias - regras
1. Lincar a pessoa que te indicou.
2. Escrever as regras do meme em seu blogue.
3 - Contar 6 coisas aleatórias sobre você.
4 - Indicar mais 6 pessoas e colocar os respectivos links.
5 - Deixar a pessoa saber que você a indicou, deixando um comentário para ela.
6 - Deixar os indicados saberem quando você publicar sua postagem.
As minhas indicações são:

11 comentários:

Neotenia disse...

ADOREEEEI o convite! Sem dúvidas vou postar algo! Estou precisando escrever mesmo alguma coisa além da minha dissertação! Vai ser bem legal!

Neotenia disse...

Ah... Me acabei de rir aqui com a hostória do ferro de passar!...rs!

(ainda estou rindo)


Beijos!

Neotenia disse...

E eu MORRO de medo de E.T., se vc é um E.T., então eu morro de medo de vc?....rs!

Flávia disse...

Que bom que escreveu,foi bom conhecer um pouco sobre você.Beijão e obrigada pela divulgação.

Marina disse...

Gente, eu estou morrendo de rir com a idéia do ferro de passar. Fico pensando como meu irmão supercriativo nunca pensou nisso, quando era pequeno. Talvez porque ele não precisou.

Você é um E.T. e eu sou um M.M. Que coisa, não?

Abraço!

Juliana disse...

Oi!
Nossa, adorei mesmo cada uma das suas curiosidades. Percebi o que tinha de especial em cada uma e fiquei assustada com o E.T que você se revelou!rs

Agradeço o convite e já postei no Frente e Versos.
Beijo

Um Poema disse...

....

Obrigado pela visita.

E bem-vindo a Portugal (Açores e Continente).
Não sei quanto tempo vais estar por cá e, certamente tens roteiro traçado mas, se entenderes pertinente alguma indicação, estou à disposição.

Um abraço

Dani disse...

Adoorei o convite, mas eu estou totalmente sem tempo pra responder :x
Então, lamento por mim..hehe
beiijo ;*

Cris Siqueira disse...

adorei esse seu meme, principalmente a história do E.T.
o q n é a imaginação de uma criança!!

rejane disse...

AHHHHHHHHHH Como é que eu nunca soube disso??? Eu sou a autora desse E.T. certo??? Nos dois sentidos... criei o E.T. e o bordado que deu origem à história... me sinto muito honrada disso!!! Chorei de rir!!!
Beijos!!!!!

disse...

vc conhece a andréia... nós, além de amigas de blog, estudávamos na mesma universidade em rio grande. Boas coincidências :)