sábado, 24 de julho de 2010

Do simbolismo das palavras

Liberdade é pouco, o que desejo ainda não tem nome.
Clarice Lispector

Cadê a poesia que estava aqui? O gato comeu. O amor, o vento levou. Respeito, carinho, amizade? Teriam sido varridos para baixo do tapete? E se nos revoltarmos diante das frases feitas? Das palavras bonitas que só são bonitas porque alguém quis assim? De tão bonitas, ficaram vazias. O amor como uma modelo de passarela, de que serve? O Pequeno Príncipe como personagem de um livro que todo mundo leu, que ninguém realmente leu. E as citações tão citadas que perderam a força, moldadas que foram à força das conveniências? E a mentira repetida até virar verdade? E se a verdade se confundir com a mentira autenticada? Quando eu pegar novamente na tua mão, terá este toque o simbolismo de antes? O que vou sentir quando te arrepiares? E se não te arrepiares? Sigo em frente, até teu pescoço, tua garganta, tua medula, o recôndito em que se escondeu tua esperança. Lá onde mora o sonho descobrirei novas palavras para o meu sonho, descobriremos juntos, talvez, sílaba a sílaba, passo a passo, um nome para nosso desejo secreto de seguirmos lado a lado.

texto e imagem por Eduardo Trindade

14 comentários:

Andrea de Godoy Neto disse...

que bonito, Edu! penso mesmo que algumas coisas precisam ser ressignificadas, para que as salvemos da banalidade que nos cerca.

beijos

Í.ta** disse...

as palavras e isso que elas nos fazem. ou que fazemos com elas!

ficou muito bom.

abraço.

Moni. disse...

Perfeito, Eduardo...

Tenho pensado também nessas banalizações, lugares-comuns, no quão epidérmicas vão ficando as coisas, os sentimentos, os "recortes" de poemas...

Bom perceber a busca pelo inteiro. O lado a lado, o dois que é muito mais que um mais um...

Beijos e ótima semana pra ti!

Sentimentalidades-Todas disse...

Eduardo
Não sei o que mais impactou
Se seu manifesto contra a vulgaridade e mesmice de significados ou a imagem...Ah, e que imagem...

Como disse a Andrea, lá encima, ressiginificar é necessário!

Abraços, querido
Mônica

Cris de Souza disse...

Gostei do palavreado...

Reiventarmo-nos é preciso!

Neotenia disse...

Muito bom estar aqui de novo...

Aмbзr Ѽ disse...

nao sei se lembra de mim, mas eu visitava muito este blog. passei um tempo afsatada e agora voltei a acompanhá-lo. iniciei um novo projeto em outro endereço.

http://terza-rima.blogspot.com/

e o que dizer de seu texto?

uau. parei, li reli, choquei. nada mais é do que a verdade. é só o que precisamos sentir, saber conhecer.

Sentimentalidades-Todas disse...

Nossa, Eduardo!!!!
Estou mais ainda emocionada com a imagem. Irreconhecivel. É o mangal mesmo ahhhhhhhh, que lindo
Aquela beira de rio sempre me alegra, me faz mais apaixonada por Belém.

vc chegou a ir no barzinho que tem ao lado desse trapiche? chama Mormaço. Um buteco-palafita com uma vista deslumbrante...

Abraços!!!

Aline Veingartner disse...

Maravilhoso texto, encantandor! Parabéns!

Aline Veingartner disse...

Encantador * (perdão)

Gaby Soncini disse...

Gostei tanto *___*

Marina disse...

Nunca li o Pequeno Príncipe. Pelo menos não sou dos que "leu sem ler". Um dia...

Bjs!

Quê disse...

Maravilhoso!
seguindo...
beijos,
www.agridoceassim.blogspot.com

Gaby Soncini disse...

Edu tem selo no meu blog para você.

Grande Beijo!