terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Sol da Meia-Noite










Não é da noite que tenho medo
nem da escuridão,
sei que a noite eu posso passar contigo
e que no escuro posso te procurar,
ousado,
como amante despudorado
ou como criança indefesa...

Não,
não tenho medo da ausência,
sempre há um tempo de luz depois da ausência,
confio no reencontro:
na mútua sedução de nossos olhares
que hão de se atrair
e, se não funcionarem,
é porque não era mesmo para ser assim.

Tenho medo é de que o dia não termine.
De que a luz não dê tréguas.
Por quanto tempo vais desejar minha presença
se não pudermos fechar os olhos?
Preciso da ausência
como preciso da noite e do escuro
para mostrar que, mesmo perdido,
procurarei teus braços
e encontrarei teu corpo
e teus afagos.

A insegurança atiça meu desejo.
Tenho medo destas latitudes polares
em que o sol sempre brilha
porque nelas também vive a ameaça
da noite eterna.
Eterna? Tenho medo da eternidade
quando vem disfarçada de monotonia.

Quero o sol da meia-noite
como coisa inusitada e bela e inesquecível
a desafiar os medos todos
meus e teus,
quero, estando contigo,
perder a conta das horas
e acordar cego de paixão
e acordar louco de prazer
num tempo de renovação.

Versos e fotografia (pôr-do-sol sobre as nuvens em algum ponto perto da Escandinávia) por Eduardo Trindade

8 comentários:

Raquel disse...

eu tenho medo da solidão...
lindas palavras Edu.

Marina disse...

Já senti isso, exatamente isso. Medo de estar presente demais. Mas também o medo de ficar tanto tempo ausente que o outro perceba que não precisa de mim.

Lindas palavras, Edu.

Lara Amaral disse...

"Tenho medo é de que o dia não termine.
De que a luz não dê tréguas."

Muito bom seu poema, Eduardo!

Beijo.

Poeta Renato Douglas disse...

Oi adorei teu blog. Faça uma visita e seja mais um membro do nosso, você é nosso convidado especial. http://poetarenatodouglas.blogspot.com/

Abraços!

Aline V. disse...

Maravilhoso!
Também quero o sol da meia-noite :)
Como sempre, encantando meus olhinhos, sr Edu

Alice disse...

Ei Eduardo, conhece aquela música do Flávio Venturini "Noites Com Sol"? Parece bem com seu poema, ou seu poema com ela, que seja: Lindo!

Um Beijo

Aмbзr Ѽ disse...

incrivel como a incerteza nos provoca medo, duvida, mas eu tambem me sinto atraida por este jogo de 'talvez'.

Leila disse...

Conheci seu blog no da Marina e achei incrível! Suas palavras são incríveis! ``não tenho medo da ausência,sempre há um tempo de luz depois da ausência``. Me sinto assim!
Parabéns!